terça-feira, 23 de junho de 2009

Coisas Soltas

“Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo, desta vida, descontente
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.


…Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te
Quão cedo de meus olhos te levou”.

Luíz Vaz de Camões, Sonetos

Estás a chamar-me? Estás a tentar alcançar-me? Eu estou a tentar alcançar-te…

Eu sinto a tua dor, sente também a minha. Vamos entrar na cabeça um do outro. Só para ver o que descobrimos. Só para ver como vemos, vendo pelos olhos um do outro.

Podia chamar-te Pátria minha, chamar-te o mais lindo nome Português, forte como o amor de Pedro por Inês. Como dizer? Um coração fora do peito. Gostar de ti é um poema que não digo. Gostar de ti é um poema que não escrevo. Pois não há forma, não há verso, não há mundo para este fogo. Como dizer? Um coração fora do peito.

Deus, que te alargou de mim, que te encurtou a ele, negando-me a suprema poesia que eu almejava, fê-lo. Meu irmão de sangue, dizem os antigos, se fores capaz, se tiveres a delícia de possuir um coração, se fores capaz de ceder à mão de quem te embala, se fores capaz de falar com o silêncio perturbando a razão que te guia, então GRITA!

Minha Dinamene, Tin-Nam-Men, Portas do Sul, Porta d Paraíso, recolhe-me ao abrigo que te votaram e rapidamente dá-me a entrada no mundo em que vives que me não deixam passar.

As ondas das eras, não as do mar, levaram-te para lá do meu conhecimento e está agora nesse lugar teu, onde eu não almejo chegar por declarado realismo. Dá-me o prazer de te ver um pouco de fora dessa esfera. Eu sinto a tua dor, sente também a minha. Vamos entrar na cabeça um do outro

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