Quando acordo fico sempre pensativo, filosófico até. Penso. Sei que existo ou, no mínimo, acredito que sim. Almejara alcançar a plenitude e, com ela, a afirmação do ser que almejei também ser. Porém, faltou-me um pouco mais de céu, sendo no entanto azul em vários panoramas. Faltou-me um pouco mais de sol para arder, naquela luz vermelha e dourada, quente, sem fogo. Tudo em mim sofreu forte abrasão.
Quando era ainda mais novo, costumava ouvir temas no pequeno rádio que tinha na mesa de cabeceira. Que será feito dele? Era velho e preto, sem duas peças, ou melhor dizendo, sem uma peça e com outra sem funcionalidade. Passo a explicar. O botão que ligaria uma luz no visor de modo a possibilitar uma consulta nocturna do andamento da noite estava em falta. A roda de plástico que permitiria aumentar o volume, estava solta, rodava sem acção, sem produzir nada útil além do som rouco de duas peças rangendo.
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