sábado, 2 de outubro de 2010

Ribalta

De repente,

Num segundo calas-te e o mundo espera ouvir-te. No silêncio das tuas palavras fortes, convictas, não dizes o que querias dizer, apenas o que quiseram ouvir.

Sem a chama de Niezsche, o consolo de Saramago e a livre e suave prosa de J.L.Peixoto sempre misturada no mais fino rigor com a pureza e a verdade que convém, ensaias algo que não é bom nem mau. É teu. Por ora, é só teu. Será do ar e das paredes que te ouvem. Porém, enquanto o pensas, é só teu.

Sobe o estrado, as cortinas clamam que as deixes subir. As hostes aguardam-te ardentemente, sôfregas pelo que representas.
Representa o teu mundo, representa de onde vens e no que acreditas.
Nunca representes quem és, pois nesse momento deixarás de sê-lo para ser só mais um actor.
A cortina chama, consegues ouvi-la?
Vai e brilha.
Não pares que se o fizeres cairás.
Se caíres, levanta-te.
Como sempre, rumo à Ribalta.

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