quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Curvas sem fim sem sentido e sem moral


Curvas.
Num monte de entulho, há apenas curvas.
Como as curvas aliciantes que moldámos nas figuras sensuais que formamos desde a primeira descoberta, até ao complexo modelo inexequível, contudo, que se perplexe o Senhor, imaginável.
Curvas de entulho. Aos solavancos, no entulho.
Para falar verdade, depois de algum tempo e sedimentação de novas memórias, tudo o que recordamos é entulho. Lixo sem importância. Porém, é lixo curvado.
Estranho, com certeza, dirão os puristas físicos, cientes da inexistência da curva na inexistência da luz, estranha simbiose subentendida num domínio que abomina as relações de necessidade sem qualquer fundamento matemático.
Aconselho que saiam à rua à noite. Caminhem e caminhem como se não soubessem onde vão parar. Fá-lo-iam mesmo não fosse a inconveniência das placas de trânsito que, rudemente, insistem em mostrar-nos que não estamos perdidos. Mas será que o fazem com verdade?

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