Puxo de um cigarro, acendo-o e, pacientemente, ouço um música qualquer de um artista qualquer. Uma má melodia e uma má poesia produzem um tão bom consolo que é quase um deleite ouvi-las nessas sintonias desajustadas.
Cansei-me de deixar o processo desenrolar-se à minha revelia e tomo as rédeas da decisão sobre a minha aparelhagem.
Passo uma, duas, três músicas. (O serviço inteligente que procura as músicas que, supostamente, mais gostamos e que nos faz sugestões é tão absurdo e obsoleto que me questiono como alguém pode usá-lo com satisfação. Imagino as reuniões de emergência para resolver o drama das reclamações, acompanhado da visão de um armazém cheio dos velhos sacos gigantes de correio, de linho ou salparilha.)
Finalmente que surge algo que, mais do que aquilo que eu quero ouvir, é aquilo que eu preciso.
De repente, um sobressalto! Depois, a acalmia de uma preocupação sem razão, para já.
Por fim, a ansiedade. As indicações são favoráveis...E Então?
Morro um bocado no processo...
domingo, 30 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Pelo Espírito Sombrio 4 - Anti-Herói
Dá-me a mão,
Acusa a pressão.
Dá-me um sinal,
Diz-me que não!
Grita,
Foge daqui.
Foge para longe de mim.
Grita,
Foge correndo.
Foge, já e sem medo.
Não venhas comigo
Pois estamos perdidos,
O que temos nada vale
E do que fizemos nada presta.
Já não há canção que te embale
E do Mundo Novo já nada resta.
Acusa a pressão.
Dá-me um sinal,
Diz-me que não!
Grita,
Foge daqui.
Foge para longe de mim.
Grita,
Foge correndo.
Foge, já e sem medo.
Não venhas comigo
Pois estamos perdidos,
O que temos nada vale
E do que fizemos nada presta.
Já não há canção que te embale
E do Mundo Novo já nada resta.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Seriedade
Que é feito das pessoas idóneas e de valores morais e éticos estruturados assentes numa personalidade forte e independente?
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Em Êxtase!
Os elementos complementam-se. Frenética e apressadamente. Beijam-se e tocam-se. Frenética e apressadamente.
Num reluzir de pele brilhante, encaixam-se. Frenética e apressadamente.
Explodem-se e emulam-se num combinar brilhante da palete amarela, laranja e vermelha. Na paleta do fogo.
Os seus corpos ou o que quer que sejam neste momento cruzam-se e unem.-se numa reacção química pouco definida e infinitamente instável. Tanto quanto a frequência do seu início e do seu fim.
O calor que deles resulta consome-os, rouba-lhes a mesma energia que o originou.
Eles amam-se na chama que uma faísca, eléctrica ou química, ninguém sabe precisar, criou. Um breve instante que desencadeia este fervor físico, psicológico e espiritual até consumir os três e consumir-nos a todos, cansados, febris e incandescentes. Rejuvenescidos.
Posso ver os seus cabelos roçarem o peito dele, os olhos de ambos reviram alternadamente, em harmonia e alternadamente outra vez.
Ela brilha aos meus olhos. Quase que posso ver-me no reflexo sinuoso da sua pele, das suas formas.
Sinto-a intensamente, percorrendo-me a medula espinal, numa presença etérea que permanecerá forte e perdurará. Sei-o de experiência própria. Com ela, com todas. Mesmo quando o coração não perde o sono, o corpo apega-se e emula-se, puxando pelo miocárdio que, malvado sejas, faz parte do meu corpo.
Freneticamente, beijamo-nos enquanto me foco na gota de suor que escorre entre os seus seios firmes e jovens. Também suamos no fogo que criámos e os humores que partilhamos fundem-se numa razão proporcional à fundição dos nossos corpos e somos mais unos do que alguma vez ambicionámos. Na razão inversa da distância dos nossos pensamentos.
Amo-a. Só não sei o que isso siginifica.
Ele olha-se no meu corpo.
Sei que neste momento sou dele e ele me pertence. Sem escalas sociais, invariável à bebida que me pagou ou à mão que deixei, esquecida em cima da sua perna ou demorada e abstraída no seu peito e nos seus ombros. Apesar do apertar sanguíneo e mental da genitália, dos nervos que agora me garantem que ele é meu e, neste momento, lhe pertenço.
Penso para além.
Anexámos o coração fingido que ele não se rendia incondicionalmente com muita vontade de o fazer, para bem do nosso ego e, nem por isso, deixo de o sentir falando em nós quando nada disso existe excepto agora.
Excepto neste tempo em que somos o fogo e a chama um do outro e nos comburimos e combustamos mutuamente, ele é ele e eu sou eu.
Nem por isso o meu coração deixará de arder um pouco mais, deixará de carbonizar mais um pedaço, num acto prazenteiro de auto-flagelação a que nos dispomos na esperança de que sejamos feitos um para o outro enquanto fingimos não entender que só os nossos corpos encaixam.
Porque os corpos não somos nós mas sim os nossos corpos, com cérebro e miocárdio mas sem coração e sem mente. Sem Alma. Porque o nós não existe.
Eu existo. Ele existe. Em todos os tempos e modos verbais nesta e em todas as línguas, sábias ou, por ora, não sábias. A língua que lambe mas não sabe o que dizer, nos lábios que falam mas não fazem acontecer.
Nós não existimos e eu sei disso mas não quero saber. Eu tenho futuro mas só quero pensar no presente pois ele é o meu presente, mesmo não sendo nós. O futuro é incógnito e para incógnito, em matéria de alcova, bastam os filhos de mães solteiras e pais do outro nome que, não o sendo, fizeram por isso.
Prefiro tê-lo nos meus lençóis do que não o ter em lado nenhum, mesmo sabendo que nunca tomaremos banho juntos nem passearemos de mão dada nem trocaremos juras de amor infantis e irreflectidas, olhando o cosmos, ouvindo o mar, saboreando a boca um do outro num areal perdido da memória dos Homens.
E o meu coração queima enquanto os nossos corpos se fundem como elementos, numa pira de tecidos e suor, como amantes proibidos de um amor shakesperiano.
E voltei ao nós. Para mal das minhas virtudes.
Num reluzir de pele brilhante, encaixam-se. Frenética e apressadamente.
Explodem-se e emulam-se num combinar brilhante da palete amarela, laranja e vermelha. Na paleta do fogo.
Os seus corpos ou o que quer que sejam neste momento cruzam-se e unem.-se numa reacção química pouco definida e infinitamente instável. Tanto quanto a frequência do seu início e do seu fim.
O calor que deles resulta consome-os, rouba-lhes a mesma energia que o originou.
Eles amam-se na chama que uma faísca, eléctrica ou química, ninguém sabe precisar, criou. Um breve instante que desencadeia este fervor físico, psicológico e espiritual até consumir os três e consumir-nos a todos, cansados, febris e incandescentes. Rejuvenescidos.
Posso ver os seus cabelos roçarem o peito dele, os olhos de ambos reviram alternadamente, em harmonia e alternadamente outra vez.
Ela brilha aos meus olhos. Quase que posso ver-me no reflexo sinuoso da sua pele, das suas formas.
Sinto-a intensamente, percorrendo-me a medula espinal, numa presença etérea que permanecerá forte e perdurará. Sei-o de experiência própria. Com ela, com todas. Mesmo quando o coração não perde o sono, o corpo apega-se e emula-se, puxando pelo miocárdio que, malvado sejas, faz parte do meu corpo.
Freneticamente, beijamo-nos enquanto me foco na gota de suor que escorre entre os seus seios firmes e jovens. Também suamos no fogo que criámos e os humores que partilhamos fundem-se numa razão proporcional à fundição dos nossos corpos e somos mais unos do que alguma vez ambicionámos. Na razão inversa da distância dos nossos pensamentos.
Amo-a. Só não sei o que isso siginifica.
Ele olha-se no meu corpo.
Sei que neste momento sou dele e ele me pertence. Sem escalas sociais, invariável à bebida que me pagou ou à mão que deixei, esquecida em cima da sua perna ou demorada e abstraída no seu peito e nos seus ombros. Apesar do apertar sanguíneo e mental da genitália, dos nervos que agora me garantem que ele é meu e, neste momento, lhe pertenço.
Penso para além.
Anexámos o coração fingido que ele não se rendia incondicionalmente com muita vontade de o fazer, para bem do nosso ego e, nem por isso, deixo de o sentir falando em nós quando nada disso existe excepto agora.
Excepto neste tempo em que somos o fogo e a chama um do outro e nos comburimos e combustamos mutuamente, ele é ele e eu sou eu.
Nem por isso o meu coração deixará de arder um pouco mais, deixará de carbonizar mais um pedaço, num acto prazenteiro de auto-flagelação a que nos dispomos na esperança de que sejamos feitos um para o outro enquanto fingimos não entender que só os nossos corpos encaixam.
Porque os corpos não somos nós mas sim os nossos corpos, com cérebro e miocárdio mas sem coração e sem mente. Sem Alma. Porque o nós não existe.
Eu existo. Ele existe. Em todos os tempos e modos verbais nesta e em todas as línguas, sábias ou, por ora, não sábias. A língua que lambe mas não sabe o que dizer, nos lábios que falam mas não fazem acontecer.
Nós não existimos e eu sei disso mas não quero saber. Eu tenho futuro mas só quero pensar no presente pois ele é o meu presente, mesmo não sendo nós. O futuro é incógnito e para incógnito, em matéria de alcova, bastam os filhos de mães solteiras e pais do outro nome que, não o sendo, fizeram por isso.
Prefiro tê-lo nos meus lençóis do que não o ter em lado nenhum, mesmo sabendo que nunca tomaremos banho juntos nem passearemos de mão dada nem trocaremos juras de amor infantis e irreflectidas, olhando o cosmos, ouvindo o mar, saboreando a boca um do outro num areal perdido da memória dos Homens.
E o meu coração queima enquanto os nossos corpos se fundem como elementos, numa pira de tecidos e suor, como amantes proibidos de um amor shakesperiano.
E voltei ao nós. Para mal das minhas virtudes.
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